União Desportiva Vilafranquense, Futebol SAD

“Jorge”, o homem que conduz a máquina da Raça Ribatejana, nunca perde o rumo nem faz marcha-atrás. É dele a “Palavra de União” desta semana.

Todos lhe chamam Jorge, mas não é esse o seu nome…
É verdade. Antigamente eram os padrinhos quem escolhia o nome. A minha mãe bem tentou que eu fosse Jorge, mas o meu tio (e padrinho) queria Álvaro. Podiam ter-me dado o nome de Álvaro Jorge, ou Jorge Álvaro, mas não chegaram a um entendimento… A minha mãe, no entanto, sempre me chamou Jorge e ficou até hoje… Quando me chamam Álvaro nem reparo que é comigo que estão a falar. Mas são poucos os que o fazem… Só quando vou ao médico (risos)…

O Jorge chegou à UDV há pouco tempo, mas não é novo nestas andanças de ser motorista de equipas profissionais de futebol. Que tal é esta profissão?
É ótima. Não a trocava por nenhuma. Cria-se uma relação de grande confiança com os jogadores e a equipa técnica e forma-se laços de grande união, grande amizade. Posso dizer que tenho amigos espalhados um pouco por todo o Mundo.

Quais as amizades mais fortes que alcançou ao longo deste tempo?
Fiz muitos amigos, mas aqueles que mais me são próximos foram os conheci quando estive ao serviço da UD Leiria, onde cheguei em 2002, como o Maciel, o Helton e o Tiago. Não é que fale com eles diariamente, mas são pessoas que irão ficar para sempre na minha vida.

O Helton (guarda-redes que passou pela UD Leira e FC Porto) foi o autor de uma das histórias mais caricatas que lhe aconteceu…
Sim, sem dúvida. Ainda estava ele (e eu também) na UD Leiria quando um dia, incentivado pelos colegas, me roubou o autocarro.

Roubou!?
É maneira de dizer, mas sim… Foi depois de um treino. Tinha deixado o autocarro ligado e estava cá fora, ele entrou e resolveu arrancar. Foi-se embora (risos)! Não bateu em nada, mas ainda acho que tem mais jeito para a música do que para a condução (risos).

Diz-se que o balneário é sagrado. E o autocarro, também o é?
Sem dúvida. O autocarro é tão sagrado quanto o balneário. Cada um tem o seu lugar bem marcado e só lá entram os jogadores, o staff mais próximo e a administração do Clube.

Uma viagem nunca deve ser igual a outra e ao longo da época tem a responsabilidade de levar a equipa a campos diversos, uns mais complicados do que outros. Sente essa diferença nas viagens?
Muito. Sou humano, gosto muito de futebol e por vezes as coisas tornam mais emocionais e efusivas, o que é normal, mas nunca tive qualquer tipo de problemas mais sérios.

E superstições?
Isso há de tudo…

Há quem não goste muito que o autocarro faça marcha-atrás…
Sim, é verdade. No autocarro quem decide é o treinador e 90% deles não gosta muito que o autocarro ande para trás. A equipa anda sempre para a frente, dizem… (risos)

Que mensagem gostaria de deixar aos adeptos que, tal como o Jorge, fazem quilómetros com a equipa?
Que apoiem a equipa e protejam os jogadores. Os adeptos têm tendência a pensar que os jogadores são máquinas, que nunca podem falhar, mas eles também são pessoas como nós, com família, que sofrem com a doença de um familiar ou amigo e isso, por vezes, reflete-se no rendimento dentro de campo. Tenho um bom exemplo disso: numa altura, em Leiria, o Carlão, avançado que marcava muitos golos, estava a atravessar uma má fase e a qualquer lado a que eu ia todos diziam que ele era isto e aquilo, que não estava a dar o máximo, que se andava a arrastar, e a verdade, o que ninguém sabia, era que ele estava de rastos, sim, mas por ter a mulher em coma… Os adeptos, por vezes, esquecem-se destas coisas! Que apoiem, que lutem ao lado da equipa, mas que tentem entender os jogadores, é o que eu lhes peço sempre.

Março 3, 2022

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